SÃO PAULO / Protesto contra Temer em SP termina com violência policial: 100 mil pessoas contra Temer

PM lançou bombas de efeito moral, jatos d'água e atirou balas de borracha contra manifestantes logo após fim da marcha que reuniu 100 mil pessoas, segundo organizadores. Justificativa foi suposta ação de vândalos.
Passeata caminha em direção à Consolação para depois seguir para o Largo da Batata
O maior protesto contra o presidente Michel Temer desde o impeachment de Dilma Rousseff terminou com violência policial neste domingo (04/09) em São Paulo. Segundo relatos de manifestantes e jornalistas que cobriram a passeata, policiais lançaram bombas de gás lacrimogêneo, jatos d'água e atiraram balas de borracha contra a multidão no fim do ato.

A marcha, que reuniu 100 mil pessoas, segundo os organizadores, teve início na avenida Paulista e foi encerrada uma hora e meia mais tarde no Largo da Batata, na zona oeste da capital paulista. Logo depois, começou a confusão. A Polícia Militar teria dispersado com violência os manifestantes que se preparavam para deixar o local.

"Eles [policiais] querem causar a imagem de que nós, manifestantes, somos os ruins. Mas eles que começam", afirmou a estudante Ana Luiza Parra Spinola, que participou do protesto junto com o avô, de 90 anos. "Moramos aqui perto e viemos porque estava pacífico. Eles jogaram bomba e meu avô tem dificuldade de locomoção."

Pelo Twitter, a Polícia Militar do Estado de São Paulo, justificou a ação devido à presença de vândalos. "Em manifestação inicialmente pacífica, vândalos atuam e obrigam a PM a intervir com uso moderado da força/munição química", escreveu.

Em nota, a Secretaria de Estado da Segurança Pública de São Paulo explicou que a confusão teve início com um princípio de tumulto na estação de metrô Faria Lima e depois "se transformou em depredação", com vândalos "quebrando catracas". Mais tarde, a ViaQuatro, concessionária responsável pela estação, divulgou que uma lixeira, uma luminária e uma catraca foram danificadas.

Na semana passada, grupos "black blocs" quebraram as fachadas de lojas e agências bancárias durante manifestações contra Temer. Segundo relatos da imprensa brasileira, os manifestantes da marcha deste domingo teriam contido a ação de vândalos.

Feridos
O Grupo de Apoio ao Protesto Popular, organização independente, informou que atendeu 12 vítimas de violência policial. Cinco sofreram intoxicação por gás, incluindo um paciente que tem câncer de pulmão. Quatro tiveram ferimentos por estilhaços de bomba e três levaram tiros de borracha. O motorista de um ônibus coletivo foi atendido por irritação nos olhos devido às bombas de efeito moral e uma passageira entrou em pânico. Entre os feridos estão dois jornalistas.

"Ambos os jornalistas estavam devidamente identificados com capacete azul escrito imprensa, credencial e câmeras, e afirmam ter sido alvos de agressões diretas e propositais", escreveu a organização na sua página no Facebook. Um repórter da BBC Brasil que filmava agentes lançando bombas contra manifestantes no bairro de Pinheiros sofreu golpes de cacetete no braço, mão, peito e perna direita e foi chamado de "lixo".

A manifestação que pediu a saída do presidente Michel Temer e a realização de eleições diretas foi convocada pela Frente Brasil Popular e Povo sem Medo. A marcha, que foi pacífica até o encerramento, reuniu famílias, crianças e manifestantes ligados a movimentos populares.

Em entrevista na China, onde participa da Cúpula do G20, Temer afirmou que o protesto não reuniria "mais do que 40 pessoas". "São grupos pequenos. Numa população de 204 milhões de brasileiros, eles não são representativos", disse. O presidente também alertou que atos de vandalismo seriam punidos.

A Polícia Militar de São Paulo não divulgou um balanço sobre o número de participantes do protesto deste domingo. Manifestações menores também foram realizadas no Rio de Janeiro e Curitiba. Novos atos anti-Temer foram marcados para esta semana. Por: DW / KG/ABr/efe/ap/ots
Paulista tomada por manifestantes graças ao desafio de Temer: 'apenas 40 pessoas'

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