SÃO PAULO / Polícia volta a usar violência em reintegração na zona leste de SP
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| Policia Militar não poupou a utilização de forte aparato e violência na reintegração da Ocupação Colonial |
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) também chegou a entrar com ação pedindo a suspensão da reintegração. Ainda assim, a reintegração foi executada, antes mesmo que a Justiça pudesse julgar o pedido do MP.
Lideranças do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) pediam que os policiais aguardassem algumas horas até o horário de abertura do Fórum, quando o recurso poderia ser julgado. "Se o juiz acata esse pedido de adiamento, olha a situação que vai se criar", apelava Guilherme Boulos, líder do movimento. "Um terreno abandonado há mais de 40 anos. Ninguém nunca fez nada. Agora que a gente fez alguma coisa para sair do aluguel, eles vêm tomar", reclamou outro morador.
Os moradores chegaram a esboçar resistência, com uma barricada na rua de acesso à ocupação. Há relatos de moradores feridos, repórteres que sofreram asfixia devido ao uso de gás lacrimogêneo pelos policiais e até animais de estimação machucados pela ação. A repórter da Rádio Brasil Atual Anelize Moreira também passou mal, por efeitos das bombas de gás.
É a primeira reintegração de posse executada na gestão do prefeito João Doria (PSDB), que afirmou diversas vezes que não iria tolerar ocupações.
Até as 9h30, os moradores ainda acompanhavam a desocupação e tentavam retirar seus pertences. Eles deverão rumar para um novo acampamento, ainda sem local definido. "Não tenho lugar. Não sei o que vou fazer. Vou por as minhas coisas na garagem de uma amiga, e não tenho para onde ir. Sou sozinha, tenho 70 anos. Não sei o que fazer da minha vida", disse uma moradora da ocupação. Os moradores da Ocupação Colonial encontravam-se dispersos pela região, abrigados da chuva por vizinhos. As crianças foram abrigadas em uma igreja também nas proximidades.
Em sua página no Facebook, o MTST comunicou que Guilherme Boulos havia sido preso pela PM de São Paulo. Em nota, o movimento classifica a prisão como "absurda" e ressalta que Boulos esteve o tempo todo procurando uma mediação para o conflito. Boulous foi preso por desobediência, e conduzido ao 49º DP, onde presta depoimento.
"Não aceitaremos calados que além de massacrarem o povo da ocupação Colonial, jogando-os nas ruas, ainda querem prender quem tentou o tempo todo e de forma pacífica ajuda-los", afirma a nota.
Vídeo do Jornalistas Livres mostra a resistência dos moradores que, com pedras, tentam conter o ataque da polícia, armada com bombas e balas de borracha e protegida por escudos.
Eduardo Roz, ativista da área de direitos humanos, relata também em entrevista à Rádio Brasil Atual o palco de guerra em que se transformou a reintegração de posse na comunidade na manhã desta terça.
Por: www.redebrasilatual.com.br





















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