POLÍTICA / Violência e repressão marcam atos contra Michel Temer
São Paulo foi palco de uma dos maiores atos e violências da PM. Manifestantes se concentraram em diversas ruas, marchando pela Avenida Paulista logo no início da tarde desta quarta-feira (31), quando foi anunciado o resultado da votação pela saída definitiva de Dilma.
Policiais avançaram rapidamente contra os ativistas, lançando bombas de gás lacrimogênio para dispersar integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), da União Nacional dos Estudantes (UNE), União Estadual dos Estudantes (UEE) e União da Juventude Socialista (UJS), além de outras multidões de insatisfeitos com o governo ilegítimo.
Entre as resultados agressivos da repressão policial, registros de atropelamentos, fotógrafos perseguidos e atacados e uma jovem manifestante que, segundo relato pessoal, chegou a ficar cega de um olho por um estilhaço de bomba de efeito moral. Acompanhe no vídeo de Democratize:
De acordo com o Coletivo Democracia Corinthiana, que foi um dos organizadores do ato que reuniu cerca de 12 mil pessoas na cidade, os manifestantes realizavam o ato de forma pacífica desde às 19h20.
"Na descida da Consolação, no entanto, utilizando como pretexto um entrevero com provocadores mackenzistas, a Polícia Militar de Geraldo Alckmin iniciou violenta repressão aos cidadãos e cidadãs, agredindo e ferindo aqueles que, por meio dos impostos, pagam seus salários. As ruas do Centro transformaram-se, então, em território de guerra. Foram registrados duros combates na Praça Roosevelt, na Praça da República e na Rua Amaral Gurgel", publicou o coletivo.
E seguiu: "Mais uma vez, a polícia tentava impedir os manifestantes de alcançarem a sede da Folha de S. Paulo, órgão de imprensa que teve papel fundamental no golpe de Estado de 1964 e que repetiu a vergonhosa façanha em 2016. Vencendo inúmeras barreiras da milícia, cerca de 600 pessoas conseguiram chegar à Alameda Barão de Limeira, onde de forma pacífica expressaram em jogral as críticas à corporação golpista da Família Frias".
Entretanto, a reação veio mais forte: Logo em seguida, as tropas cercaram o lugar e iniciou-se novo combate feroz. Os jovens foram acuados e tiveram de escapar em direção à Praça Princesa Isabel. Cercados, foram empurrados pela polícia ao funil da Cracolândia. Neste momento, muitos foram assaltados e agredidos. Celulares foram roubados e carteiras subtraídas", contaram.
Entre as vítimas, o fotógrafo William Oliveira teria sido perseguido pelos policiais, agredido e seu equipamento destruído. A ativista Deborah Fabri sofreu graves ferimentos no rosto e, na madrugada, teve que passar por procedimento cirúrgico.
"Horror, desrespeito e suspensão das liberdades democráticas. Este é o Brasil de Aécio, Temer, Maia, Renan, Marta, Cunha e Caiado, dirigido também pelo oligopólio de comunicação liderado pela Rede Globo. 1964 está de volta", criticou o coletivo.
O caso da ativista foi registrado por outros grupos, como os Jornalistas Livres. "Quando encontramos Deborah, ela já estava ferida e era amparada por amigos e outros manifestantes. Ainda assim, ela conseguiu explicar que o estilhaço da bomba que atingiu seu olho, dilacerou a lente do óculos que usava. Deborah sentia pedaços de vidro dentro do globo ocular", relataram.
"Ao nos aproximarmos, ela dizia: 'perdi meu olho, meu olho não está aqui'. Deborah mal conseguia ficar em pé. Foi levada para os primeiros socorros da unidade ambulatorial da PUC, na Rua Marquês de Paranaguá. De lá. Foi encaminhada ao Hospital das Clínicas, onde permanece internada. Contatamos a advogada Ana Casarin e a Rede Feminista de Juristas DeFemde para acompanhar o caso", explicaram.
A polícia também chegou a invadir a USP, que, sob a justificativa de prevenir contra a manifestação, mandou " todos os alunos saírem das aulas e trancaram as portas", segundo relatos de alunos.
Um restaurante árabe no centro de São Paulo foi destruído pela ação da PM. O "Al Janiah" foi alvo de várias bombas na noite de ontem. Em nota, afirmaram que "não acontecia nenhum tipo de protesto ou movimentação na rua e apenas nosso estabelecimento que sofreu o ataque". "Quando alguns membros da nossa equipe saíram e avisaram aos policiais que ali era um bar e restaurante, eles mandaram mais duas bombas", completaram.
O cenário não foi diferente no Recife. As principais avenidas da capital pernambucana, entre elas a avenida Agamenon Magalhães, foram preenchidas pelos manifestantes e representantes de diversas entidades civis, até chegar ao corredor viário da Conde da Boa Vista e a Praça do Diário.
Acompanhe outras fotos das manifestações em São Paulo, publicadas pelo Mídia Ninja:
Em solidariedade à manifestante Déborah Fabri, o Levante Popular da Juventude publicou uma nota. Acompanhe:
Na noite de ontem, 31 de agosto de 2016, milhares de jovens saíram às ruas de diversas capitais para protestarem e expressar todo seu repúdio ao golpe parlamentar que destituiu a presidenta legítima, Dilma Rousseff, colocando em seu lugar o golpista e usurpador, Michel Temer.
O Levante Popular da Juventude esteve presente em diversas destas manifestações, somando-se ao coro Não ao Golpe, Fora Temer!
Praticamente todas as manifestações ocorreram fortes reações da polícia militar, que agiu de maneira desproporcional, violenta e brutal, reprimindo e agredindo os manifestantes. Em São Paulo, na esquina da rua Caio Prado com a rua da Consolação, mesmo lugar onde ocorreu o massacre de 13 de junho de 2013, a militante do Levante Popular da Juventude, Deborah Fabri, estudante da Universidade Federal do ABC (UFABC), foi atingida por um estilhaço de bomba no rosto, ferindo seu olho esquerdo.
Deborah foi hospitalizada e passa bem, perdeu a visão do olho esquerdo! Isso é inaceitável! Prestamos toda nossa solidariedade à ela e seus familiares e afirmamos que não descansaremos até que os responsáveis sejam punidos e ela disponha de todo a assistência necessária.
Repudiamos veementemente a ação da Polícia Militar do governador Geraldo Alckmin. Exigimos apuração, identificação e punição dos responsáveis imediatamente.
Essa é a marca desse governo ilegítimo e desse golpe: violência, truculência e autoritarismo. Não toleram a democracia, a liberdade de expressão, a soberania popular. Querem nos tirar tudo, desde os nossos direitos à nossa voz: não permitiremos!
Michel Temer e seu governo não nos representa, muito menos irá nos intimidar. Tomaremos todas as medidas judiciais e políticas cabíveis. Lutaremos e resistiremos em todas as trincheiras!
Seguiremos nas ruas, na luta contra esse golpe! Convocamos todos e todas a ocuparem as ruas!
Fora Temer!
Por: Jornal GGN































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